Como usar o efeito – Treble Booster

Treble Booster: quem usa e como usa?

Por Jorge Lopes

Meu amigo, imagine ai você, ouvindo aquele clássico da sua banda favorita, escutando aquele timbraço de guitarra, muitos riffs e solos executados perfeitamente e aquele som todo saindo maravilhoso. Certamente você se pergunta: Que equipamento esse cara usa? Ai, um dia você pesquisa e descobre, aproveita e pesquisa também um pouco do estilo do guitarrista e decide comprar um equipamento parecido, afinal você quer um timbre como aquele (considerando que sua habilidade com o instrumento não seja um empecilho) . Ai é que vem nosso pequeno problema: Como usar cada parte daquele equipamento todo?

A partir desse questionamento eu decidi criar a coluna ‘Como usar o efeito’, onde vamos falar sobre os efeitos, como eles são comumente usados e, claro, ilustrar cada um deles com exemplos fantásticos dos nossos mestres que temos por ai.

Hoje falaremos sobre o Treble booster, um efeito largamente utilizado entre as décadas de 60 e 70 e agora voltando a ser muito usado novamente. O seu principal objetivo é saturar um amplificador, principalmente nos casos dos amplificadores de som um pouco mais fechado como os Vox e Marshall (considerandos referência em British sounding amps). No caso desses amplificadores, era usado pra dar definição, saturação e uma melhor resposta de agudos ao timbre além de uma grande melhor em termos de sustain.

1. Dalas Rangemaster

Não podemos falar sobre treble booster sem comentar um pouco sobre o clássico Dalas Rangemaster. Esse pedal pode ser ouvido em gravações imortalizadas do Queen, principalmente a partir do Queen II e também nas gravações do Black Sabbath, onde Tony Iommi, grande usuário de amplificadores britânicos, fazia uso extensivo desse clássico pedal para saturar os seus valvulados.

Clássico Dalas Rangemaster

Dalas Rangemaster

O Rangemaster tinha uma construção simples e, em seu lançamento, foi desenhado para ser usado em cima do amplificador não como um pedal. Construído com transistores OC71 ou OC44  tiveram o boom de seu uso entra as décadas de 60 e 70 onde podem ser encontrados no set de muitos guitarristas famosos.

Como esse pedal deixou de ser oficialmente produzido, hoje é possível encontrarmos vários outros que utilizam a mesma ideia do circuito, conseguindo resultados muito bons, principalmente quando são empregados transistores de germânio de características parecidas aos usados na época. A maioria dos treble booster simples que vemos no mercado hoje, são, pelo menos em princípio baseados no Rangemaster.

2. Colorsound, Vox e Electro Harmonix

Também na década de 60 outras grandes marcas estavam marcando seu terreno no que diz respeito aos Treble Booster. Entre elas três também tiveram um grande destaque, são elas a Vox, Electro Harmonix e a Colorsound.

Colorsound: Foi responsável pelo desenvolvimento e fabricação do Colorsound Power Boost que se tratava de um Treble Booster que era alimentado por 18v (por meio de duas baterias de 9v). Esse Treble booster foi usado por vários famosos, entre eles David Gilmour e Gary Moore.

Colorsound Power Booster

Vox: A vox produziu ao longo dos anos vários Treble booster, desde os que eram projetados para serem plugados ao amplificador e usados sobre eles (como era também o Rangemaster) até pedais para uso em chão. O mais conhecido foi o Vox V8401.

Sreaming Bird Reissue

Electro Harmonix: A EH consagrou dois bons Treble Boosters, o Screaming Bird e o Screaming Tree. Aparentemente a única diferença entre os dois se dava ao fato de o Screaming Bird ter sido desenhado para uso em cima do amplificador enquanto o Screaming Tree foi feito em formato pedal.

 

3. Como usar um treble booster

Modo 1:

Suponhamos que você tenha um amplificador valvulado, e, a partir disso, aceitemos que você ame o timbre do seu valvulado mas naquele solo ou base mais agressiva você quer mesmo é que ele te dê um timbre definido, razoavelmente saturado e com uma pegada Rock ‘n’ Roll sem ser totalmente distorcido. Nesses casos você pode usar o booster para dar um crunch quando usando um amplificador que já tem tendência a saturar.

Desse modo você pode usar o controle de saída do seu treble booster no máximo ou próximo disso. Note que o volume final será totalmente afetado e aumentará consideravelmente (lembre-se sempre dos vizinhos). Se o seu treble booster tiver um controle de tonalidade faça o ajuste levando em conta o timbre característico do seu amplificador, ou seja, ajuste de maneira a compensar as boas características que ele ja tem de modo que não sobre em agudos a ponto de incomodar, por exemplo.

Modo 2:

Por outro lado, você pode estar querendo apenas uma leve saturada, afinal você quer mandar aquele blues do delta tranquilo que cai muito bem em um  amplificador de potência mais baixa que ja seja saturadinho de natureza.

Nessa situação você pode usar o seu treble booster de maneira mais moderada, próximo a posição doze horas, bem no meio. Novamente, caso você tenha um controle de tonalidade, esse deve ser ajustado a gosto e considerando as características do seu amplificador.

 Modo 3:

Esse modo de uso você decide e sugere ai nos comentários!

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Galera, esse foi o primeiro da série, começamos simples com um efeito simples. Muitos outros virão e continuo contando com as sugestões de vocês! Nenhuma passa despercebida!

Um abraço e continuem ligados.

Comments

  1. Heric says

    eu gosto de usar pra dar uma definição maior em algumas distorções, apesar de ser um efeito que eu não tenho planos de colocar no meu set é um pedalzinho muito legal.

    interessante você falar de uns efeitos menos populares, mas que são bem importantes pra conseguir alguns timbres específicos.

    • says

      Fala meu caro,

      então , o uso mais comum que eu vejo é esse mesmo e a definição fica muito boa, principalmente se você puder ser mais generoso no volume :) .
      Se você tem um valvulado de único canal, pode usar ele para ser seu drive. Tem muitos usos distintos!

      A ideia é mostrar o que nós podemos conseguir com os outros efeitos. Tem muita gente que até tem acesso a esses efeitos mas ainda não sabe direito como aproveitar melhor cada um deles. É uma tentativa de ajudar essa galera a tirar um timbre cada vez melhor! :)

      Abraço
      Jorge

  2. Heric says

    Jorge, você acha que um OD "808 like" funciona legal pra boostar um Big Muff Pi, pra dar uma definição e melhorar a atuação dele no mix da banda?

    • says

      Fala meu caro,

      acho que o uso é válido sim. Mas tem que ser com o drive no zero, tonalidade mais aguda e controlar o boost no level. Fica legal.
      O Big Muff é um Fuzz extremamente definido em solos, com um sustain enorme, no entanto acho ele bem fácil de embolar principalmente em acordes abertos, por isso tem que tomar bastante cuidado ao usá-lo com mais efeitos de saturação.
      Mas o que posso te dizer é que vale muito a experiência. :)

      (Mas não deixe de fazer o teste com um treble booster real!)

      Jorge

      • Heric says

        Na verdade eu tou com um Big Muff Pi e tou adorando usá-lo. Quando eu uso num valvulado saturando ele fica perfeito pra fazer umas bases raivosas, mas nos SS ele dá uma embolada que eu até consigo domar no volume da guitarra, mas perto um pouco do punch. Já vi alguns comentários na interwebs que um '808 like' ligado junto dava uma definição melhor no caso de não ter um valvulado à diposição (o que é muito comum). por isso essa pergunta. Vou tentar com um treble real como você me sugeriu.

        • says

          Fala Heric. É isso ai cara. o Big Muff é raivoso mesmo!
          O fato dele embolar um pouco tem muito a ver com a sua característica mesmo, acredito que até mesmo na maioria dos valvulados ele va embolar um pouco dependendo do seu uso.
          E ai, ja fez o teste com o TS? Como te falei, tanto o TS quanto um treble boost tem boas chances de dar uma definida bacana no Big Muff.

          Abraço
          Jorge

          • Heric says

            Grande Jorge,

            Nem tive tempo de fazer ainda o teste, cara, mas vou tentar agilizar isso. Vou testar também com o OCD de um amigo, pra boostar Distorções convencionais ele é fantástico, quero ver como se comporta casando com meu Big Muff. Tou até mais acostumado com ele e tou gostando muito do timbre, até em SS tou conseguindo tirar umas coisas legais.

            Vim aqui pra te dar trabalho ( e muito heuehueheu). Queria sugerir um post sobre loop em amplificadores, a gente pesquisa pesquisa, lê os fóruns e tem gente que fala coisas interessantes, tem gente pra falar abobrinha e é complicado chegar num conhecimento correto e definido de como usar essa magnífica ferramenta, apesar de eu gostar de usar tudo espetado no input (vai entender né)

          • says

            Fala Heric!
            Ah cara, me conte desses testes como OCD! Use ele empurrando outras distorções e drives e também sendo empurrado e compartilhe o resultado!

            Cara, muito boa sugestão! Trabalharei num post bacana sobre o assunto pra breve!
            Valeu, meu amigo.

            Abraço.
            Jorge

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